Via-Sacra

Via-Sacra: A Cruz de Cristo
"No caminho da tua vida... há momentos que te marcam." 

1ª Estação: Jesus é condenado à morte

{ENTREGA}

Evangelho de São Mateus (Mt 26, 57;27,24)
 Os que tinham prendido Jesus conduziram-no à casa do Sumo Sacerdote Caifás.[...] Pilatos mandou vir água e lavou as mãos na presença da multidão, dizendo: «Estou inocente deste sangue.»

   Onde encontrar a verdadeira força? onde está a verdade? Naqueles que têm posições de poder, ou naquele que curvou a cabeça, que tem os braços em baixo, em sinal de paz, e que só os levantou para ser pregado na cruz? Quantos inocentes pagam o preço da desonestidade, do abuso de poder?

   Às vezes, escondemos a nossa falta de coragem atrás da máscara da hipocrisia,e, para não nos envolvermos, tentamos alhear-nos da realidade que nos rodeia. Silenciamos as injustiças sofridas pelos que nos são próximos, como as dos nossos familiares e amigos, e as dos nossos inimigos. Porque? Porque é que silenciamos a injustiça?


2ª Estação: Jesus toma a cruz

{ABRAÇO}

Evangelho de São João (Jo 19,17)
Jesus, levando a cruz às costas, saiu para o chamado lugar da Caveira, que em hebraico se diz Gólgota.

   É preciso coragem para abraçar aquilo que gostaríamos não ter de enfrentar: as violências e as atrocidades do nosso mundo. Tomar a decisão de aceitar é o paradoxo da sua cruz.

   As nossas mãos são um dom precioso. Podem criar ou destruir, erguer ou rebaixar, podemos abraçar ou rejeitar. Jesus usou as mãos para abençoar, para juntar nos seus braços os que estavam perdidos, enquanto anunciava a Boa-Nova que trazia a paz. Até, por fim, entregar as suas mãos à cruz. Aceitando-a e abraçando-a, Ele recebe as nossas dores, a nossa cruz. E eu? Que faço com as minhas mãos?


3ª Estação: Jesus cai pela primeira vez

{PEDRA ANGULAR}

Profecia de Isaías (Is 53,5)
Foi ferido por causa dos nossos crimes [...] O castigo que nos salva caiu sobre Ele, fomos curados pelas suas chagas.

   Todos sabemos o que se passa em nós, quando dizemos: Não posso mais! É a própria vida a desaurir-se. A falta de amor nas nossas vidas pode abater-nos. Quando somos rejeitados, violentados, tornamo-nos vulneráveis. Não nos respeitamos, nem a nós próprios nem aos outros.

   O ser humano pode tornar-se violento para com os que são vulneráveis; perder a dignidade humana é condenar-se à degradação. Jesus morreu para nos salvar de nós próprios. Ele tirou o pecado do mundo; alcançou-nos o poder de vencer o mal. Ele restaurou em nós a imagem de filhos de Deus. E eu? Sou imagem de quem?


4ª Estação: Jesus encontra sua Mãe

 {SEM PALAVRAS}

Evangelho de São Lucas (Lc 2,51)
Sua mãe guardava estas coisas no seu coração.

   É muito difícil ver uma criança, um amigo, um ser amado a debater-se pela vida. Por vezes, é mais difícil dizer-lhe a palavra certa. Com frequência, nem sabemos exprimir-nos. Gostaríamos de poupar àqueles que amamos o peso das suas cruzes.

   O amor é surpreendentemente vulnerável, completamente indefeso, exposto ao que surge. Amar é dar às pessoas liberdade para seguirem os desígnios de Deus, a qualquer custo. Tudo o que podemos fazer é estar presente, apenas estar, consolando, apoiando... demonstrando respeito. São momentos sagrados, esses, como o de Maria com Jesus. E eu? Sei consolar aqueles que de mim precisam? 


5ª Estação: Simão de Cirene ajuda Jesus

 {UNÍSSONO}

Do Evangelho de São Marcos (Mc 15,21)
Para lhe levar a cruz, requisitaram um homem que passava por ali ao regressar dos campos, um certo Simão de Cirene.

   As nossas ruas estão cheias de pessoas que se debatem com o fardo que carregam... Temos a consciência de parar, de nos envolver? Estrangeiros, refugiados dizem-nos respeito? Quem é o meu próximo?

   O que acontece à nossa volta afecta-nos, de um ou outro modo. Chamados à união, o mandamento do Senhor é o de nos amarmos uns aos outros. Devemos uns aos outros amor e apoio. Simão Cireneu pode inspirar-nos: aceitando ajudar um estranho tornou-se um com Jesus, o Filho de Deus. E eu? Sou um com Jesus?


6ª Estação: Verónica limpa a face de Jesus

 {VERDADEIRO ÍCONE}

Evangelho de São Marcos (Mt 25,40)
Em verdade vos digo: sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo fizestes.

   Onde vemos a face de Jesus, hoje?Poderemos encontra-la nas reproduções artísticas, nos filmes? Não! Ele disse-nos onde podemos ver a sua face. Se ao menos tivéssemos a coragem de olhar para os que estão famintos, para os que estão nus, para os que estão sozinhos, aprisionados, no menor, no último... aí veríamos o próprio Jesus.

   Que fazemos para ajudar, para aliviar estas injustiças; para impedir que os nossos irmãos e irmãs morram na indigência? Jesus foi muito claro, enquanto a este assunto: «Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer» (Mt 25,45). E eu? Que faço para ajudar?


7ª Estação: Jesus cai pela segunda vez

 {CONNOSCO}

Evangelho de São Lucas (Lc 14,27)
Quem não tomar a sua cruz para me seguir não pode ser meu discípulo.

   Pressões sociais, dos nossos pares e talvez da nossa fraca vontade podem impedir-nos de ser verdadeiros seguidores de Jesus.

   Hoje, pode-nos ser difícil ver algum valor na cruz. O sofrimento é para nós um grande mistério. Permitimo-nos ficar esmagados sob o peso da cruz do dia-a-dia, ou restabelecemo-nos e seguimos no encalço de Jesus? Ali, onde a humanidade, sob o peso do pecado, se encontra com o rosto humano e transfigurante de Cristo. E eu? Deixo que Cristo me encontre nas minhas quedas? 


8ª Estação: Jesus consola as mulheres

 {CONSOLO}

Evangelho de São Lucas (Lc 23,28)
Filhas de Jerusalém, não choreis por Mim, chorai antes por vós mesmas e pelos vossos filhos.

   Perante a dor e a tragédia humana, são as mães que pagam o preço mais alto ao verem os seus próprios filhos, carne da sua carne, serem privados da dignidade, vilipendiados, torturados, mortos. As mães conhecem o duro caminho da cruz.

   Jesus pede às mulheres que acalentem um mundo melhor, para poupar a humanidade a uma tragédia ainda maior. Mas isso só é possível, se abraçarmos a cruz como jesus, com amor, com um coração de mãe. Na verdade, Ele pede-nos a todos para termos um coração de mãe, para acarinharmos a vida à nossa volta. E eu? Sou maternalmente dócil com os que estão à minha volta ou arrogante e prepotente?


9ª Estação: Jesus cai pela terceira vez

 {ÁMEN!}

Livro das Lamentações (Lm 1,14)
Colocou [o seu jugo] sobre o meu pescoço, abatendo as minhas forças.

   Há, na vida de todos, momentos de solidão interior, duma rejeição que nenhuma palavra pode descrever. Sobrecarregados com tantas dores, sentimo-nos como vermes esmagados debaixo de um pé!

   Como nós, Jesus experimentou este vazio... a luta humana. Ele bebeu o cálice até à última gota, permanecendo confiante no amor infalível do Pai. Ele caiu para nos dar força e a confiança de que seremos capazes de nos erguer das lutas que nós prendem e continuar o nosso caminho para a meta final. E eu? Quero levantar-me?


10ª Estação: Jesus é despido das suas vestes

 {DE QUEM?}

Evangelho de São João (Jo 19,23)
Pegaram na roupa de Jesus e fizeram quatro partes.

   Antes da sua Paixão, Jesus orou para que pudéssemos ser um só. No entanto, a divisão e a guerra entre os seus seguidores marcaram a história do Cristianismo. O sangue foi derramado, vezes demais, em nome de Jesus.

   A divisão enfraquece-nos e o temor uns dos outros invade-nos. Todos nos julgamos do lado certo, do lado da verdade. Jesus sofreu por toda a Humanidade. O mistério da Cruz está no centro da História. Ninguém pode reivindicar a exclusividade. Quem se isola, fere o Corpo do Senhor. A fé em Jesus exige que vivamos e difundamos o Evangelho da unidade, para que Cristo seja tudo em todos. E eu? Como colaboro para a unidade do grupo e da comunidade?


11ª Estação: Jesus é pregado na cruz

 {FACE A FACE}

Livro dos Salmos (Sl 22 [21], 8)
Todos os que me vêem escarnecem de mim, estendem os lábios e abanam a cabeça.

   Há momentos da vida de cada um que nos sentimos «pregados», como se estivéssemos na cruz, incapazes de nos movermos, totalmente à mercê dos outros. Pode ser devido à doença, deficiência, medo, violência, dores físicas ou psicológicas.

   Quando nos sentimos impotentes, encontramo-nos face a face com a nossa própria verdade e com a verdade dos que nos cercam. Podemo-nos tornar vítimas dos outros ou fazer com que eles paguem o preço da nossa indiferença, da nossa insensibilidade. Enquanto Jesus é pregado na cruz, olhando a cara dos que o rodeiam, revemo-nos nelas?



12ª Estação: Jesus morre na cruz


{HOLOCAUSTO}


Evangelho de São Mateus (Mt 27,46)
Cerca das três horas da tarde, Jesus clamou com voz forte: "Eli, Eli, lemá sabactháni?", isto é: "Meu Deus, meu Deus porque me abandonaste?".

   A violência tornou-se uma experiência comum nas nossas ruas... mesmo nas nossas casas. Corremos o risco de nos habituarmos às horríveis cenas de violência apresentadas pelos media, sem fazer distinção entre ficção e realidade.

   O pecado é a verdadeira tragédia humana: todos nós vivemos a condição de pecadores em solidariedade com toda a humanidade. Mas Jesus desce à nossa humanidade, desde ao nosso pecado, para crucifica-lo na sua carne, na minha carne. É a sua morte, a sua entrega total, até ao limite, que nos conduz à vida. E eu? Sei entregar-me aos outros ou sou gerador de violência?



13ª Estação: Jesus nos braços de sua Mãe

{SEIO MATERNO}


Evangelho de São João (Jo 14,27)
Deixo-vos a paz, dou-vos a minha paz. Não é como a dá o mundo que Eu vo-la dou.

   Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre. Como podemos nós chamar bendita a uma mãe cujo filho foi perseguido, maltratado e que acaba de morrer numa cruz?

   Maria é bendita porque acreditou na fidelidade de Deus. Podemos confiar em Deus? Sentimo-nos amados e benditos, unidos no seu vínculo de amor permanente? Até quando somos tocados pelo sofrimento e pela morte?



14ª Estação: Jesus é colocado no Sepulcro

 {CRISÁLIDA}

Evangelho de São João (Jo12, 24)
Se o grão de trigo, lançado à terra, não morrer fica ele só; mas, se morrer, dá muito fruto.

   Tantas vezes sentimos os falhanços das nossas esperanças, sonhos e planos. Os nossos esforços podem parecer vazios e as nossas tentativas infrutíferas. Rolou uma pedra à entrada dos nossos corações, das nossas relações, de toda a nossa vida - a pedra mantém tudo do lado de fora.

   No entanto, a menos eu o grão de trigo morra, não produz fruto. Baptizados em Cristo, enraizados nele, somos portadores da sua vida nova. Trazemos connosco a certeza de que com Ele nada é impossível. E eu? Que faço com esta certeza?

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(Via-Sacra preparada pelo Fr. Renato Pereira & utilizada no nosso II Encontro de Grupo com Cristo em Santa Catarina no dia 31 de Agosto de 2012)

1 comentário:

GRAÇA disse...

Muito bonita para os jovens, gostei, vou usar no meu grupo de catequese 8º ano